
Teatro Electroacústico / Ópera Hypermedia
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ITINERÁRIO DO SAL
Apresentação
Reflexão sobre a Criação e a Loucura, Itinerário do Sal gira em torno da linguagem, da palavra-sentido e da palavra-som; ambas tratadas como dimensões da voz, da voz enquanto extensão do corpo e ambas totalmente integradas na construção cénica como projecção tangível da ressonância das palavras através do som e da imagem.
Áudio, Vídeo e processamento electrónico em tempo real associados à projecção espacial da voz, da poesia, do gesto, da música e do traço, desenvolvem uma polifonia de sentidos, um contraponto de significados, uma exuberância de emoções.
Um performer/autor em palco talha ao vivo novos trilhos na música electrónica; o som, a luz, as imagens e o movimento como que desenhados, pintados ou esculpidos, desafiam de forma poderosa, intensa e emocionante as convenções e os limites entre Música, Teatro e Ópera.
Sinopse
Itinerário do Sal é a concretização de um trabalho de criação sobre a escrita: sobre a escrita musical, sobre a escrita poética, sobre a escrita gestual do músico/actor e da sua própria imagem, onde a voz é o prolongamento do corpo e do pensamento do poeta. Eis, portanto, a simbiose entre a essência da palavra e a evolução do Ser, apresentada na forma de uma nova dramaturgia designada por Ópera Electroacústica.
A primeira parte, aborda a questão da ausência do autor enquanto desdobramento e deslocação da sua personalidade criadora e põe em cena a própria cena.
A segunda parte é dominada pela pesquisa do gesto da escrita interpretado como gesto instrumental e portanto musical. No fundo do gesto de escrever está o som da palavra. A palavra subordinada à vida. A palavra liberta da palavra.
A terceira parte dá corpo à palavra e dá-lhe imagem. A partitura do poema compõe o tempo. Quem se lembra do tempo? Mas é o tempo que se lembra de nós! O criação toma conta do criador e volta a questão da loucura... dos seus limites, da cegueira causada pelo excesso de lucidez, pelo excesso de Ver. É a cegueira do branco que queima, o branco do sal. Na luz, ninguém o vê!
No palco, o compositor e o poeta, juntos, num só, conduz-nos através do seu mundo interior, do seu itinerário pessoal a que chama de Sal - o mesmo Sal que representa a sua resistência, a sua vontade, a sua essência e a sua multiplicidade. O Sal (substância fundamental) que nos surge também como manifestação de conhecimento e de sabor; o itinerário que é decerto o do criador, mas que é também e simultaneamente a imagem e à imagem de tantos outros itinerários, caminhos, trocas, inspirações, demandas...
CRÉDITOS Miguel Azguime – composição, textos e performance
Paula Azguime – desenho de som, electrónica em tempo real, encenação e vídeo
André Bartetzki – programação vídeo e vídeo em tempo real
Perseu Mandillo – vídeo
EXTRACTOS DE IMPRENSA
“Trata-se de um espectáculo admirável e sedutor, algures xamanista, louco, entre o sal, o sol e o sul... Colocado sob as luzes da ribalta, os destintários privilegiados, agradecem.”
(Jorge Listopad, Jornal de Letras, 22/04/2008)
“O autor actor e músico Miguel Azguime, funde modelações vocais, mímica, gestos e as suas “projecções” no vídeo e electrónica ao vivo. As possibilidades do autor nesta produção histérica e fisiológica espantam, tornando-se um excelente “material” para as transformações electrónicas.”
(Asta Andrikonyte, 2006)
“Depois desta experiência, talvez o espectador se pergunte sobre o seu género: será música electroacústica? Poesia sonora? Teatro musical, arte performativa, ópera multimédia? Ou será antes todas estas hipóteses juntas?”
“Ultrapassar barreiras de grandes disciplinas estabelecidas é uma das características marcantes da poética de Azguime. É ele o autor dos versos, recita-os e interpreta a música composta de proliferações rítmicas de sons, palavras e gestos. (...) Parece teatro, mas não é.”
(Jelena Novak, e-volucija, nº14, 2007)
“Durante uma hora Miguel Azguime apresenta-nos uma mistura de vídeo e sons vocais processados, acrescentando uma camada de picante imprevisibilidade a um esquema de eventos sensoriais variados, detalhadamente planeados e de conteudo convincente.”
“A electrónica ao vivo é conduzida com graça quase dançante. Ao centro de tudo isto, e magistralmente imergido, está o próprio Azguime. De olhar arregalado para a câmara, rabisca sobre uma mesa, transfigurado num desenho animado, trajado de um branco reflector face à câmara, é ele o objecto projectado e a tela de projecção.”“Nesta ópera multimédia, (...), a tecnologia e a linguagem são brinquedos de igual e infinito fascínio.”
(Andrew Johnstone, Review on The Irish Times, 28/04/2007)
“Itinerário do Sal, de Miguel Azguime, é um exemplo da hibridez intermédia tornada possível pela actual tecnologia digital. Os sons ligeiramente diferidos que saem da boca do actor/autor tentam ser simultaneamente o resultado dos movimentos corporais, isto é, aquilo que poderíamos referir como a música da voz ou a poesia da voz, e a notação desses movimentos. É como se o som escrevesse o próprio som. O mesmo se poderia dizer da escrita: os traços traçam a sua própria possibilidade enquanto forma escrita.”
(Manuel Portela – blog TAGV Coimbra, 16/02/2007)
“Na sua essência, a linguagem não faz sentido. Ela não é mais do que uma sucessão de sons, tão natural como o barulho do vento no trigo ou o crepitar dos grãos numa montanha de sal. É com uma coerência fora do comum que o Miso Ensemble segue este princípio na sua ópera multimédia “Itinerário do Sal”. É inimaginável um prelúdio mais prometedor do que este para o festival Europa em Cena, o encontro de teatro luso-alemão da Studiobühne.”
“Através de uma performance genial, Azguime eleva a sua arte para um outro patamar totalmente diferente. Aqui tudo se torna Arte da “prestidigitação. Movimentando os lábios de forma artística, o actor solta frases sobre o “autor ausente” (que comicamente se encontra no palco) em cascatas de som. Não se pode dizer que este autor esteja “no meio do silêncio”, no “contexto de estar calado”; ele cacareja e ronrona, ele parte com os dentes e ladra até romper a própria palavra até que ela se dissolve em prazer, mas também em terror. O abismo da loucura torna-se visível por detrás do vazio transparente das palavras.”
“(… ) Azguime oferece Jandl sob ectasy, em transe digital da velocidade. Com cabos ligados por todo o corpo, apoiado por três técnicos, ele torna visíveis as suas ruínas de palavras em tempo real, e passa-as na forma de letras chamejantes e flutuantes num ecrã gigante. Só o brilhantismo da técnica, a perfeição e a originalidade dos desabamentos ópticos e acústicos já fazem desta representação de uma hora um espectáculo a ver.”
(Von Oliver Cech – Kolner Stadt-Anzeiger, 12/03/2007)
Tradução do alemão Beatriz Medeiros da Silva
"Aliando uma presença cénica de rara intensidade a uma incrível virtuosidade no tratamento electronico das imagens e dos sons, Miguel Azguime absorve-nos para o interior de um turbilhão de imaginação infatigável, para o labirinto de uma invenção de cada instante: grandes planos do sentido, de palavras, de sons, de gestos, de situações, de posturas. Difundido a partir de um dispositivo que circunda o público, o som toma conta do espaço, enquanto que a imagem projectada sobre múltiplos ecrãs se torna volume e território. Em palco, Miguel Azguime conduz o público a um ritmo alucinante, num acto de loucura, de espanto, de emoção."
(Bertrand Dubedout 04/04/2006 Festival Mira)
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